O que é fácil de responder é que, em alguns momentos da vida de cada um, um nó na garganta, uma falta de ar, um aperto no peito, avisa que algo não vai bem.
A pessoa tem a sensação de que algo ruim vai acontecer. É como se fosse uma espécie de previsão.
Mas afinal, o que é a angústia?
Eu definiria angústia como a variação da dor. Um sentimento. A angústia é resultado de uma tentativa de proteção de algum perigo interno.
Na verdade, para algumas pessoas, a angústia é uma sensação indefinida. Mas ela realmente é uma sensação associada ao futuro. Diferente da depressão, que associa a tristeza a algo que aconteceu no passado. A angústia, muitas vezes, pode ser um alarme não de um perigo que vai acontecer, mas da sensação de que aquilo que a pessoa tentou deixar para trás, sem organização, está transbordando.
Podemos, em determinado momento da vida, deixar algo que se precisa resolver, para depois. Mas na verdade, sabemos que mais cedo ou mais tarde, vamos precisar desenterrar aquilo, engolir o medo e resolver de uma vez. Mas é claro que ninguém quer que essa hora chegue. Só que essas ideias que ficam para depois, sempre retornam. E podem voltar em forma de angústia.
Entender o que a angústia realmente é, não é tarefa fácil. Mas compreender qual a mensagem que ela tenta nos passar, é muito mais simples.
A angústia pode nos fazer perceber o sentido das coisas da vida. A princípio, ela parece estar ligada ao medo da morte ou da perda. Receio da morte quase todos nós temos, mas o que não dá para fazer é luto por aquilo que ainda não se perdeu. Ficar se martirizando.
Quem sofre de angústia, tem seu corpo em estado de alerta diante do perigo que sente que irá acontecer, precisa entender que esse perigo não pode estar no seu futuro, e sim no seu passado.
Mas para compreender melhor isso, é preciso compreender como a nossa mente lida com a dor.
A dor, num sentido universal, é um exagero. Tudo que tem a dor como relação, tem o exagero. Quando algo nos perfura a pele, é porque foi algo intenso, então sentimos dor. O calor, quando intenso, queima e nos causa dor. A dor é causada por falta de proteção suficiente.
O fato é que estamos sempre fugindo da dor. Ao menos tentamos. A dor surge para nos proteger do perigo. A memória nos faz sofrer, mas também nos protege. Porém, as vezes, para lidar com a dor, nosso psiquismo "bagunça" nossa memória, criando falsas associações. Daí surge a angústia. A angústia nem sempre surge em momentos ruins e dolorosos. Pode surgir em situações prazerosas, quando menos esperamos.
O contexto é sabermos administrar nossos problemas e preocupações, para não ser mais uma vítima desse mal que atinge tantas pessoas.

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